D. Virgílio Antunes: “D. João Alves foi um grande homem da Igreja e um grande Bispo”
O actual Bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes, recorda o seu antecessor, D. João Alves como um homem da renovação da Igreja. “O senhor D. João Alves foi um grande homem da Igreja, e foi um grande Bispo”, começa por lembrar.
“Concretamente”, refere D. Virgílio Antunes, “na diocese de Coimbra, onde permaneceu mais de duas décadas, num período por um lado difícil por ser aquele período pós-revolução de Abril, em que havia alguma perturbação a vários níveis, e por ter bebido em grande profundidade daquele espírito de renovação da Igreja”.
“Teve a capacidade, de facto, de implementar esse espírito na diocese de Coimbra”, considera o actual Bispo da cidade, “graças ao seu perfil intelectual, à sua grande capacidade de diálogo, de compreender os problemas e de agarrar nas situações”.
Aquele foi um período em que se produziu muito, lembra ainda D. Virgílio Antunes; documentos, reflexão ao nível “social, pastoral e eclesial”.
“Foi um homem não só das dioceses em Coimbra, como da Igreja em Portugal”, conclui o prelado.
Padre Manuel Morujão: “Era um promotor de consensos e de unidade”
D. João Alves foi presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) entre 1993 e 1999 e foi depois responsável, durante seis anos, pela Comissão Episcopal das Comunicações Sociais.
O actual porta-voz da CEP recorda o bispo emérito de Coimbra como um homem ponderado, que gostava do consenso. “Pois é com saudade e afecto que recordo D. João Alves.”
“Era um promotor de consensos, de unidade, com grande equilíbrio e ao mesmo tempo também com grande determinação. Era uma personalidade muito rica pela sua ponderação, visão aberta da Igreja e do mundo”, considerou o padre Manuel Morujão, em declarações a partir de Varsóvia, na Polónia, onde participa no encontro anual dos secretários das Conferências Episcopais da Europa.
Manuel Machado: D. João Alves “sempre disponível para encontrar soluções”
O antigo presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado lembra que enquanto autarca contactou diversas vezes com D. João Alves. Manuel Machado elogia a sua capacidade e empenho em ajudar a resolver os problemas da cidade e lamenta, por isso, a sua morte. “É uma triste notícia, D. João Alves foi Bispo de Coimbra enquanto eu fui presidente da Câmara de Coimbra, uma pessoa que sempre tratou com muita servilidade e disponibilidade para ajudar a encontrar soluções para os graves problemas com que a cidade se debatia.” “Não apenas no âmbito da solidariedade social, onde ele se empenhou, mas desenvolver projectos de interesse comum, de cariz carismático notável, como a recuperação do Convento de Santa Clara a Velha, sempre contei com apoio e estímulo para que aquela obra se realizasse, e é hoje uma obra notável”, aponta o antigo autarca.
Barbosa de Melo: “pessoa de convicções vigorosas e muito determinada”
O presidente da Câmara Municipal de Coimbra descreveu, por sua vez, o bispo emérito, como uma pessoa de “convicções vigorosas” que soube ultrapassar as dificuldades. “Pessoa de convicções vigorosas e muito determinada, D. João Alves deixou uma marca forte na Igreja de Coimbra”, destacou João Paulo Barbosa de Melo, a respeito do prelado que esteve à frente da diocese local entre 1976 e 2001.
Presidente da República homenageou um dos “mais insignes” bispos da Igreja Católica no país
O falecimento do prelado tinha sido assinalado no dia da sua morte pelo presidente da República Portuguesa, que enviou uma mensagem de condolências e homenageou um dos “mais insignes” bispos da Igreja Católica no país. “Na Diocese de Coimbra, que dirigiu durante duas décadas, na Conferência Episcopal Portuguesa, que liderou de 1993 a 1999, e na Comissão Paritária instituída pela Concordata celebrada com Portugal em 2004, deu constantes demonstrações da sua cultura humanista, do seu sentido de serviço aos outros e da sua sensibilidade social”, referiu Aníbal Cavaco Silva, em texto divulgado pela Presidência.